Prefácio
Este texto visa analisar
a obra de Pierre Lévy [Cibercultura] com o objetivo de produzir um comentário
sobre a noção de cibercultura tal como é defendida pelo autor, acompanhada de
três exemplos desta temática.
UC
- Educação e Sociedade em Rede – Novembro de 2014
O conceito de
cibercultura do filósofo francês Pierre Levy é um fenômeno que ocorre no
ciberespaço, o qual o autor chama também de rede, e que define como “novo meio
de comunicação que surge da interconexão mundial dos computadores”(Lévy, 1999,
p.17). O conceito de ciberespaço é então uma consequência das interações entre
nós e a forma como vivenciamos as estruturas sociais. Sendo assim a sociedade denominada «sociedade em rede» a tecnologia é usufruída um ponto de regalia
para relacionamento social, onde os desenvolvimentos sociais estão diretamente
relacionados com os desenvolvimentos tecnológicos.
A proporção social da
sociedade determina a aplicação das novas tecnologias conforme as nossas
necessidades. É nesta ótica que autor especifica a cibercultura como um
conjunto de técnicas (materiais e intelectuais), de praticas, de atitudes, de
modo de pensamentos e de valores que desenvolvem juntamento com e ciberespaço.
No decorrer do livro
encontramos diferentes conceitos e dualidades imprescindíveis para construir o
de cibercultura: ciberespaço, inteligência coletiva, virtual versus real.
Atentando o ciberespaço,
como um espaço não táctil de transmissão, pesquisa, partilha, discussão,
aprendizagem e recolha de informação de toda a espécie (texto, imagem, som…),
podemos compreender que o virtual não substitua o real mas sim que o complete e
ajude a transformar.
O espaço de partilha de informação concebida pela
tecnologia da comunicação em linha, a partir de redes de computadores dispersos
pelo mundo, abre imensas hipóteses de reconstrução constante do conhecimento,
conferindo à cibercultura o seu carácter universal, por um lado e retirando-lhe
a totalidade, por outro, devido à persistência da atualização do conhecimento.
O conhecimento torna-se mais democrático e ao serviço dos cidadãos, permitindo
uma maior participação e maior transparência nas políticas públicas que os
afetam.
Levy chega ao conceito de
cibercultura, que defende ser um movimento sedimentado em novas formas de
comunicação e troca de conhecimento. É um fenômeno social que dá outro
significado a todas as dimensões da sociedade, incluindo a comunicação, a
participação, a educação, a forma de acesso ao conhecimento e à aprendizagem.
Estas dinâmicas provocaram uma desinstitucionalização do saber a par de uma
democratização de todo o processo cultural.
Para ajustar este
conceito, vamos encontrar varias formas comparação, a título de exemplo,
menciono “dilúvio informacional” (Lévy, 1999, p.14).em que vivemos hoje
em dia com o dilúvio de Noé. Todavia o atual dilúvio jamais terminará. Precisamos concordar que é necessário viver em rede, sendo cada um de nós um
Noé com uma arca que estabelecerá ligações umas com outras arcas.
Estas interligações entre
indivíduos, e as suas arcas, formam redes colaborativas com dinâmicas sociais e
de aprendizagem cooperativa que tornam o ciberespaço um instrumento
privilegiado de inteligência coletiva. O autor ainda defende que a cibercultura
pode ser herdeira do iluminismo, que se desenvolveu na Europa do século XVIII,
difundindo valores como fraternidade, igualdade e liberdade. Neste sentido o
ciberespaço é um instrumento de comunicação entre indivíduos, que lhes permite
afirmar os seus valores, os seus direitos e a aprender o que querem saber.
Hoje vivemos online em
comunidades virtuais, ligadas ao universo, que constroem e dissolvem
continuadamente as suas “micro-totalidades” dinâmicas e emergentes,
mergulhadas no nosso novo “dilúvio informacional”.
Exemplos:
Ao pensar na Cibercultura
descrita por Levy, exemplifico qui o
fórum, serviço que permite a publicação de mensagens de uma forma pública
com características coletivo-para-coletivo e funcionam como comunidades
virtuais e “são espaços de troca de informações e de debates” (Lévy, 1999,
p.103). Estes espaços coletivos
são reservados à participação dos utilizadores neles inscritos onde estes
partilham interesses e manifestam opiniões numa experiência de cidadania e
democracia online.
Outro exemplo da
Cibercultura em nossas vidas, são as facturas
electrónicas que podemos aderir, para de forma economicamente sustentável,
colaborar com a diminuição do uso de papel e por seguinte, com a diminuição do
desmatamento e preservação do meio ambiente. Além da vantagem social que está explicita, é curioso observar como o correio electrónico está definitivamente
aceito na sociedade como um meio de comunicação essencial. Há pouco tempo, um
documento importante para as instituições, comas facturas aos seus Clientes,
seriam impressos e enviados por correio tradicional. O correio electrónico
popularizou-se e as questões de segurança, apesar de ainda serem críticas,
deixaram de ser um empecilho para a utilização do e-mail como um meio de
comunicação formal. Como previa Lévy, a utilização desta ferramenta de
comunicação é das mais usadas no ciberespaço e tem se tornado cada vez mais
multimodais ( com imagens, animações, hyperlinks), no lugar das mensagens
originais que continham apenas texto.
O
Google Earth,
é outro exemplo tendo em conta as possibilidades que oferece de identificação
de locais, de procurar endereços, de medição de distâncias entre dois pontos,
visualização de locais a três dimensões, comparação de imagens do mesmo local
ao longo do tempo, são inúmeras e universais. Os utilizadores podem partilhar e
identificar na rede, locais que visitaram ou onde habitam com indicações úteis
sobre alojamento, serviços locais e apreciações gerais, sempre na perspetiva da
partilha da informação, oferecendo a outros a possibilidade de encontrarem
informação sobre locais que desejem visitar, por exemplo. Trata-se, no fundo,
de uma base de dados online, em que as atualizações são visíveis
praticamente em tempo real, bastando atualizar a página.
E tudo na ótica da
complementaridade do virtual com o real, pois um não substitui o outro, antes o
publicita, completa e tenta atuar sobre ele, na perspetiva de melhorar a vida
das pessoas. Como refere Lévy (2000, p. 232): “É muito raro que uma nova forma
de comunicação ou de expressão suplante completamente as antigas. Encontramos
portanto a viver num espaço e numa cultura com novas potencialidades que
devemos aproveitar nas diversas dimensões da nossa sociedade: politica,
económica, social e cultural, ou seja já estamos aproveitando cada uma, tornado
estes uma ferramentas de grande utilidade no nosso dia-a-dia. Difícil é viver
sem eles.
Bibliografia
Lévy, P. (2000)
Cibercultura. Lisboa: Piaget.
Lévy, P. (1999).
Cibercultura. Tradução de Carlos Irineu da Costa. São Paulo - Brasil. Editora
34.Acedido em 20 de Novembro de 2014.
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A questão da complementaridade é, de facto, a engrenagem da realidade atual: a complementaridade entre pessoas, entre ferramentas, entre conhecimentos, entre ideias, entre formas de comunicação... É preciso saber lubrificá-la e enriquecê-la.
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