segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Recursos Educacionais Abertos: Desafios e Potencialidades no Ensino Online

Resumo: Este Trabalho é resultado da pesquisa bibliográfica solicitada na disciplina Materiais e Recursos para Elearning cujo tema é Recursos Educacionais Abertos: Desafios e Potencialidades no Ensino Online e tem como objetivo abordar o uso dos recursos educacionais abertos para o ensino online e seu processo de criação, adaptação, uso e compartilhamento entre educadores e educandos. Ele também objetiva mostrar que o uso do REA no ensino online promove a educação aberta, incentiva práticas de colaboração e compartilhamento, facilita o acesso ao conhecimento e incentiva os professores e estudantes a serem coautores na produção de materiais para fins educacionais. Propõe-se a refletir sobre o uso de tecnologias digitais no ensino, na utilização de recursos abertos como maneira de fazer reeducar nossas posturas mediante o direito autoral vigente.

Palavras-chave: Recursos Educacionais Abertos. Educação Aberta. Tecnologia de Informação e Comunicação. Creative Commons.

Introdução
Com tantas tecnologias digitais inseridas em nossas relações sociais, muitos poderiam presumir que pactuamos a era tecnológica. Mas a era que, na verdade, presenciamos é a da informação, alimentada, sobretudo, pela evolução de tecnologias vinculadas a redes como a internet. Ora, o acesso a documentos como textos, imagens, vídeos e etc. tornaram-se, simplesmente, mais fáceis. E essas possibilidades de acesso aos poucos foram contornando o agir das pessoas em sociedade, conforme Kenski (2003, p. 21): A evolução tecnológica não se restringe apenas aos novos usos de determinados equipamentos e produtos. Ela altera comportamentos. A ampliação e banalização do uso de determinada tecnologia impõem-se à cultura existente e transformam não apenas o comportamento individual, mas o de todo o grupo social.

Por meio da internet as pessoas estão compartilhando o conhecimento que ficava restrito a um pequeno grupo de pessoas. “Desde a revolução de Gutenberg, com a invenção da imprensa escrita, a humanidade não apresentava algo tão original como a internet para o rompimento do paradigma cultural efetivado pelo modernismo” (DIMANTAS, 2010, p. 41). Com a utilização dessa mídia o poder da voz está cada vez mais descentralizado. O maior potencial de transformação da rede está em conectar pessoas, colocando-as diante de um modo de produção colaborativo. Nesse sentido, “a aceleração do crescimento da educação, em geral, está tornando cada vez mais indistintos os limites entre disciplinas, instituições e locais geográficos” (LITTO, 2009a, p.15).

Recursos Educacionais Abertos: princípios e desafios
REA são “materiais de ensino, aprendizado e pesquisa em qualquer suporte ou mídia, que estão sob domínio público, ou que estão licenciados de maneira aberta, permitindo que sejam utilizados ou adaptados por terceiros. O uso de formatos técnicos abertos facilita o acesso e o reuso potencial dos recursos publicados digitalmente. Recursos Educacionais Abertos podem incluir cursos completos, partes de cursos, módulos, livros didáticos, artigos de pesquisa, vídeos, testes, software e qualquer outra ferramenta, material ou técnica que possa apoiar o acesso ao conhecimento” (UNESCO/COL, 20111).

Os Recursos Educacionais Abertos (REA) surgem como proposta para uma nova configuração de ensino e aprendizagem promovendo a Educação Aberta por meio do acesso ao ensino pelas mídias digitais e do uso dos novos recursos tecnológicos que buscam levar a aprendizagem aonde à escola tradicional não consegue chegar. Para entender melhor como funciona a produção dos REA, vale a pena pensar em todo um “ciclo de vida” para o recurso educacional. Na perspetiva de um professor, começa com uma tarefa que faz parte do cotidiano: o desejo ou a necessidade de aprender ou ensinar algo.

O REA se encaixa muito bem no ensino online, pois leva o professor e o aluno a um processo de engajamento coletivo por meio do uso e adaptação dos recursos criados por outros e do compartilhamento desse material de forma aberta para que todos tenham acesso e sejam beneficiados. Este processo fomenta o trabalho coletivo e a troca de experiência entre professores e alunos, levando a uma construção coletiva do conhecimento através da cultura do compartilhamento e do ciclo de produção de recursos educacionais abertos.

Santos (2012) define a Educação Aberta como um conjunto de práticas educativas que visa facilitar o acesso à educação formal e informal, presencial ou a distância, sendo utilizada em contextos variados, inclusive na utilização dos REA como uma forma de se fazer Educação Aberta. Entre a série de aspectos que a caracterizam é importante enfatizar as práticas pedagógicas centradas no aluno, a flexibilidade que o estudante tem em decidir o local onde deseja estudar, o uso de materiais educacionais criados por estudantes, o acesso a repositórios de pesquisas científicas, o uso de softwares de código aberto para fins educacionais e o uso de REA, tanto na educação formal quanto na informal.

Ensino Online e suas potencialidades
O aprender no contexto virtual, compreendido aqui como uma aprendizagem lato sensu, é visto como uma novidade que tem trazido questões que requerem novos planeamentos. O sujeito ao utilizar as tecnologias digitais e a rede tem sido desafiado a trabalhar em equipa, interagir, cooperar; ser criativo; fatores estes, constituintes do mundo atual, este processo pode ser compreendido como aprendizagem lato sensu.

O uso das tecnologias implica em criar outras formas de interação e outras possibilidades de aprender. Estas características referidas favorecem um modelo pedagógico no qual o desenvolvimento de processos de aprendizagem é orientado para a construção de conhecimentos. Assim, um processo de ensino-aprendizagem que promove interatividades multidirecionais, possibilita novas formas de comunicação e interação através do ciberespaço. O Ensino Online é uma modalidade de educação aberta, crescente juntamente com a web.
O Ensino Online, operando de forma bidirecional, multidirecional favorece à interatividade, apresentando-se com uma proposta coerente aos dias de hoje. Silva (2010, p. 11) refere:
 [...] a modalidade online conecta professores e alunos nos tempos síncrono a assíncrono, dispensa o espaço físico, favorece a convergência de mídias e contempla bidirecionalidade, multidirecionalidade, estar-junto “virtual” em rede e colaboração todos-todos. Enquanto a modalidade “a distância” é operada por meios de transmissão em sua natureza, a modalidade online lança mão das disposições favoráveis à interatividade cada vez mais presentes e em sintonia com a evolução da web na direção dos ambientes de comunicação e colaboração.

Desafios dos REAs no Ensino Online
Os REA, por serem de domínio público, proporcionam não só a sua utilização, mas o aprimoramento, a recombinação e sua redistribuição como fonte de conhecimento, pesquisa e material didático, gerando um contexto contemporâneo no âmbito da educação mediada. O princípio do livre acesso gera o desafio de não só compartilhar informações e materiais didáticos (recursos e tarefas de estudo), mas visa, também, à construção desses materiais pelos professores através do processo de produção colaborativa. A prática de abertura, que permeia o movimento dos REA, potencializa a expansão do ensino e a democratização das ações pedagógicas, uma vez que permite o desenvolvimento de novos recursos, a adaptação dos materiais já produzidos e o seu compartilhamento com a comunidade.
Desenvolver atividades colaborativas em ambientes virtuais de aprendizagem pressupõe a participação de todas as pessoas envolvidas no processo. Alunos e professores se articulam permanentemente e se tornam atores ativos na medida em que compartilham suas experiências, pesquisas e descobertas.
O convívio intenso do grupo formado – que possuem perspetivas diferenciadas sobre um mesmo assunto – e a necessidade permanente de emitir e justificar suas opiniões permitem a criação de condições favoráveis para o desenvolvimento do pensamento crítico, da reflexão e da aprendizagem transformadora. Os participantes aprendem em colaboração. Dessa maneira, todos contribuem para a aprendizagem dos demais e utilizam os meios digitais como apoio para novas aprendizagens e trocas de informações.
A atuação conjunta e coordenada, voltada para a superação dos mesmos desafios de aprendizagem, viabiliza a construção da “inteligência coletiva”, conforme apresenta Pierre Lévy (1999), que é muito mais do que a soma das contribuições individuais. É um conhecimento grupal, construído e compartilhado por todos os participantes.
No processo de ensino-aprendizagem desencadeado segundo esse modelo o professor tem papel importante. É ele o mediador da aprendizagem, aquele que instiga, provoca e lança desafios. É ele também quem planeja todo o processo, oferecendo condições para que as atividades educacionais sejam desafiadoras e interessantes, de acordo com o nível e o perfil dos aprendentes. Para isso, a formação desse profissional deve lhe garantir condições para estar preparado para o novo, para lidar com as diferenças, para a imprevisibilidade de um ambiente em que os alunos trazem¸ frequentemente, novos assuntos e novas propostas de discussões.

Potencialidades dos REAs no Ensino Online
Os Recursos Educativos Abertos (REA) têm sido utilizados um pouco por todo o mundo, e nos últimos anos com grande destaque no ensino online, no sentido de abrir o conhecimento a todos que dele necessitam e, muitas vezes, desenvolvendo-se num objetivo de nivelador social.
A sua produção assume-se como um procedimento normal por parte dos docentes visando envolver também os alunos, de forma a transformar uma determinada realidade do processo de ensino-aprendizagem numa outra com o objetivo da inclusão.

A utilização dos REAs fornece aos atores educativos a possibilidade de adaptação desses objetos aos mais diversos contextos conforme os níveis, estilos e necessidades específicas dos alunos. A adoção dos REA, intimamente associada e decorrente do Movimento do Acesso Aberto (AA), no processo de ensino-aprendizagem permite estabelecer uma metodologia diferente, inovadora e tecnologicamente atual, potenciadora do uso das novas tecnologias de informação e comunicação (TIC).
Os REAs parece propicia para o ensino online, provoca práticas, exploração de recursos e novos designs de ambientes, criando configurações diversas que atendam as estratégias pedagógicas que são requeridas pelos sujeitos em suas necessidades de formação. Nesse sentido, o planeamento não é fechado, nem previsível.
Os estudantes de cursos online podem pesquisar soluções para as situações concretas, desenvolver propostas, trazer experiências que poderão ser valorizadas em diversas situações. O ensino online é construído no próprio processo, no envolvimento dos participantes que vão se auto-organizando e organizando seus conhecimentos e interesses comuns, estabelecendo objetivos de aprendizagem. Possui uma estrutura mais flexível, se comparada com cursos tradicionais na modalidade a distância.
O Ensino online propicia aulas dinâmicas, relacionando-as com materiais didáticos através do uso de vários tipos de materiais, tais como textos, vídeos e animações, aliados a atividades, exercícios realizados em ferramentas que possibilitem interatividades e colaborações entre os participantes, tais como os fóruns e os wikis. Tudo isto pode ser possibilitado pelo uso dos REAs, mas atendendo sempre os critérios de licenciamento para reutilização, recriação e adaptação em diferentes contextos. 

A (re)criação de REA é livre, ou seja, não necessita da permissão do detentor dos direitos autorais. Conforme o portal Educação Aberta (disponível em http://educacaoaberta.org/rea/), "recursos podem ser considerados 'abertos' com base em dois princípios:
1) Abertura legal, com o uso de licenças mais permissivas (como Creative Commons)
2) Abertura técnica, através de formatos e protocolos abertos ou especificados abertamente."

Os termos de licença representados pelos símbolos “C” e “CC”. O copyright (“C”) é um termo mundialmente conhecido, que significa “all rights reserved”, ou seja, “todos os direitos reservados” (STEVÃO et al, 2012, p.8). Todavia, de acordo com o mesmo autor, o termo “CC” permite copiar, distribuir, exibir e executar uma obra, reservando, é claro, os créditos ao autor original. As licenças precisam estar adequadas à legislação de cada país. Por isso, o Creative Commons (http://www.creativecommons.org.br) detalha cada uma das licenças possíveis para o compartilhamento das obras.

Os REA promovem o desenvolvimento de competências digitais e a utilização da Internet impõe--se como recurso de excelência e ferramenta educativa. Não há dúvidas de que esta netgeneration gosta de utilizar REA em situação de aula principalmente quando se fala de ensino online e gosta de aprender a criar REA em diferentes formatos.

Os REA vieram, pois, estimular um maior empenho, motivação e interesse, tanto no ato de ensinar como no ato de aprender, por professores e alunos, que alteraram a sua forma de aprender estando mais interessados no processo de aprendizagem, desenvolvendo a sua curiosidade em pesquisar e aprender mais e, finalmente, a estarem mais atentos e motivados. Os REA vieram transformar os alunos em agentes ativos; o aluno deixa de ser considerado como um receptor passivo passando a ativo enquanto também se rompe com conceitualizações tradicionalistas do ensino, baseadas na figura do professor, enquanto detentor do conhecimento.


Conclusão
Sabendo que um dos suportes utilizados para a construção do conhecimento no ensino online são os recursos educativos abertos, é fundamental compreender os fatores motivacionais, quer por parte da instituição quer por parte dos estudantes. Como tal, a temática dos Recursos Educativos Digitais ou Recursos Educativos Abertos continua a ser objeto de investigação, nomeadamente, no desenvolvimento de padrões gerais (standards) que visam a sensibilização para a qualidade. Isto viabiliza uma melhor disseminação fazendo com que os estudantes se sintam livres, motivados para a sua utilização e sintam mais segurança na qualidade dos conteúdos digitais a que recorrem.

A rapidez de decisão sobre o método de utilização, a preferência pelas interações utilizador-utilizador ou utilizador-máquina estão dependentes das caraterísticas, motivações e emoções de quem acede a este hiperespaço virtual. O aspeto espacial do Virtual permite ao utilizador o acesso a informação e material que de outra forma não lhe estariam facilitados tanto por condicionamentos geográficos como de limitações de mobilidade física. A interação pela navegabilidade pode representar uma razão para que qualquer ato de aprendizagem assuma uma dinâmica que nem sempre os formatos mais tradicionais oferecem. Os REAs poderá facilitar o ensino online, este poderá ter acesso a qualquer tipo de informação dependendo da licença poderá estar livre para dar o rumo que queira agora tem que ter muita responsabilidade, ética e respeito pelo trabalho dos outros e primar sempre pela qualidade e veridicidade da informação.

Bibliografia
Dimantas, H. Linkania: uma teoria de redes. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2010.

 Kenski, V. M. (2003). Tecnologias e ensino presencial e a distância.Campinas: Papirus.

Mallmann, Elena Maria. Mediação Pedagógica em Educação a Distância: cartografia da performance docente no processo de elaboração de materiais didáticos. 2008. 304 p. Tese de Doutorado em Educação. Universidade Federal de Santa Catarina: Florianópolis, SC, 2008.

Lévy, P. (1999). Cibercultura. São Paulo, SP: Ed. 34.

Litto, F. M. O atual cenário internacional da EAD. In: LITTO, F. M.; FORMIGA, M. M. M. (orgs.). Educação a distância: o estado da arte. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2009a, cap. 3, p.14-20.

Santos, Andreia Inamorato dos. Educação aberta: histórico, práticas e o contexto dos recursos educacionais abertos. In: SANTANA, Bianca; ROSSINI, Carolina; PRETTO, Nelson de Lucca. Recursos Educacionais Abertos: práticas colaborativas políticas públicas. São Paulo: Casa da Cultura Digital. 2012, pp. 71 – 89.


Silva, M.; PESCE, L.; ZUIN, A. (orgs.). Educação Online: cenário, formação e questão didático metodológicas. Rio de Janeiro: Wak Ed, 2010.

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