quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Virtualização Das Relações Socais . Atividade 4 Da UC Educação e Sociedade em Rede

Com o surgimento da sociedade em rede e das relações sociais virtuais através da internet, surge a possibilidade de o individuo, por um lado, se apresentar aos outros como é verdadeiramente, despido de preconceitos, sem ter de se preocupar em ocultar o seu lado mais obscuro porque, como não é reconhecido, não terá de sofrer as consequências inerentes a essa obscuridade, por outro lado, o individuo tem a possibilidade de viver uma vida virtual, ilusória, que não tem possibilidade de viver fora da rede, pode ser alguém que ambiciona ser e não o é na realidade.

Isto porque cada um de nós, quando socializa presencialmente, faz uso de personas diferentes, conforme o contexto social onde está inserido. Em função de cada contexto social diferente, diferente é o papel social que representa. Essa caraterística do Ser Humano também se verifica na internet, está espelhada na rede quando verificamos que utilizamos sítios diferentes da rede em função do papel que aí queremos representar.

As redes interativas de computadores estão crescendo exponencialmente, criando novas formas e canais de comunicação, moldando a vida e, ao mesmo tempo, sendo moldadas por ela (Castells, 1999).

Quando se fala de autenticidade na rede (de computadores) deveremos começar por analisar de que tipo de autenticidade e de que tipo de transparência falamos. Autenticidade e transparência das pessoas e das suas identidades? Ou autenticidade e transparência do fluxo de informação crescente que circula na Internet? Provavelmente as duas abordagens estarão associadas, uma vez que a informação é produzida por pessoas e a sua autenticidade depende da idoneidade de quem a produz e difunde.

Será que o ser humano se comporta de forma diferente quando interage através da Internet ou será que transporta para as relações virtuais o tipo de comportamento adotado no dia-a-dia do mundo real?
Tomando como exemplo as redes sociais, a blogosfera e os mundos virtuais, nem sempre a identidade visível é a identidade autêntica. É frequente o anonimato, a falsificação da idade, o uso de pseudónimo,  a troca de nome ou até mesmo a troca de género. São conhecidos inúmeros casos de fraude de identidade, quase sempre propositada e com objetivos diversos.

A revolução tecnológica, segundo Baudrillard (1981), está a fazer evoluir a nossa sociedade para uma vivência no “ecrã”, local onde tudo é possível e pode acontecer e onde não há distância nem espaço físico. “O Real já não é o que era” (Baudrillard, 1981, p. 14) 

O mundo real e o virtual completam-se e ambos fazem parte da nossa vida, o que nos obriga a questionar como devemos sobreviver nestes dois mundos. Os nossos comportamentos e atitudes devem-se adaptar às especificidades de cada espaço. 


A virtualização das nossas relações sociais coloca também em questão o que é público e que é privado. O que nos obriga a ter uma maior consistência sobre as implicações nas nossas partilhas nas redes sociais e consequências que estas podem ter. É que agora as nossas participações vão mais além do que o nosso espaço físico, amplificam-se e podem ser retransmitidas noutros contextos e ganhem uma outra dimensão. 

“As potências do sujeito pós-moderno multiplicam-se diante da possibilidade de, a partir de seu núcleo irrepresentável, tornar-se ator expondo à sua escolha algumas de suas qualidades nesta ou naquela comunidade virtual” (LÉVY, 1998). O indivíduo nas redes apresenta a possibilidade de representar- se.


Referencias Bibliográficas
Baudrillard, J. (1981) Simulacros e Simulação. Lisboa: Relógio d’Água. 
CASTELLS, M. (1999). A Sociedade em Rede. A Era da Informação: Economia, Sociedade e Cultura, Vol. I, 8 ed. São Paulo: Paz e Terra.
HALL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade.9. ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2004.
Lévy, P. (1999). Cibercultura. Tradução de Carlos Irineu da Costa. São Paulo - Brasil. Editora 34. 
LÉVY, Pierre. A Inteligência Coletiva: por uma antropologia do ciberespaço. São Paulo:Edições Loyola, 1998.




7 comentários:

  1. Olá, Ivanilda.
    Muito boas reflexões.
    Realmente vivemos e convivemos em dois mundos, o real e o virtual e os dois se complementam.
    Será que é possível sermos diferentes nas relações, sendo num mundo diferente do outro?
    Vivemos numa sociedade em rede e podemos nos beneficiar da internet em diversas áreas e momentos: no trabalho, na escola, na saúde, nas relações sociais, nos movimentos sociais..., enfim. A internet trouxe inúmeros benefícios e a possibilidade de estarmos conectados nos auxilia nas atividades diárias.
    O essencial é ter ética no uso da rede.
    Um abraço.
    Aparecida Torres

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    1. Ola Aparecida,

      Muitos vezes a parte essencial que é a ética se perde pelo cominho. Isto muitas vezes por falta de informação, outras vezes talvez estamos cansados dessa rotina que é a vida real e acabamos por aproveitar essa diversidade que o mundo virtual nos oferece e dar uma reviravolta nas nossas personalidades, isto porque na rede podemos representar tendo em conta cada momento.

      Cps

      Ivanilda Ramos

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    2. Ola Aparecida,

      Muitos vezes a parte essencial que é a ética se perde pelo cominho. Isto muitas vezes por falta de informação, outras vezes talvez estamos cansados dessa rotina que é a vida real e acabamos por aproveitar essa diversidade que o mundo virtual nos oferece e dar uma reviravolta nas nossas personalidades, isto porque na rede podemos representar a cada momento.

      Cps

      Ivanilda Ramos

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  2. Olá Ivanilda,

    Muito boa a sua contribuição.
    Na sociedade moderna através da internet ou pode fazer uso de várias identidades, de acordo com o contesto. Mas devemos ter consciência das consequências das nossas ações e as implicações delas conforme agimos. Fazer uso da internet de uma maneira consciente e nunca esquecermos dos nossos valores enquanto seres humanos.
    Até mais,
    Renata

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    1. Ola Renata,

      Relamento a questão dos valores quando se fala da rede é algo que esta em extensão. E a nossa responsabilidade enquanto seres sociais é tentar recuperar os tais valores, talvez por nós mesmos, talvez pelas gerações vindouras. A internet nos leva para outros mundos e sem querer perdemos o caminho de volta.

      Cps

      Ivanilda Ramos

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  3. Olá Ivanilda
    Concordo com o teu ponto de vista sobre o anonimato e falsificação da idade (na verdade eu prefiro ver isto sob a perspectiva de não querer deixar informações pessoais disponíveis para todo mundo)
    Por favor rectifique o tipo de fonte do teu texto para que sera regular e também as referências bibliográficas no formato APA. Podes usar a ferramenta APA disponível em http://www.citationmachine.net/

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    1. Ola Antonio,
      Muito obrigada pela chamada de atenção, realmente a citação de HALL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade.9. ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2004. ficou neste formate. Vou ratifica-la.

      Essa Falsificação de idade e anonimato muitas vezes deve-se a falta de ética e a perde de valores acima mencionados por Renata e Aparecida, isto porque as pessoas sintam-se a vontades para fazer o que bem querer na rede.

      Cps Ivanilda Ramos

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